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Aleatoriedades Aleatórias: Amizades também podem ser abusivas




Saudações Escapistas do meu Brasil!
Em algum lugar entre o Lakka com Oreo e a Netflix, fazer amizades está no Top cinco de melhores coisas do mundo. A vida social é uma grande parte da rotina de qualquer pessoa. Mesmo quem se isola do mundo para ver séries como eu, não consegue evitar se meter no meio de algum grupo e acabar conectando-se com alguém. Entretanto, o ser humano consegue estragar até as melhores coisas e algumas amizades acabam virando verdadeiros jogos de poder, tornando-se um relacionamento abusivo.

Os relacionamentos abusivos são qualquer relação onde um mantenha controle sobre o outro, abusando-o moralmente. As pessoas geralmente só enxergam esse tipo de situação em casais nos quais um agride ao outro, mas a violência que a vitima de uma relação abusiva sofre vai além do físico, não significando necessariamente que quem não apanha não sofre; Os abusos também se dão por meio de ofensas, pressão psicológica, intimidação e ameaças verbais. 

Qualquer relacionamento está sujeito a esse tipo situação e o mais assustador é que tornou-se muito mais comum do que se imagina. Não só em relações de hierarquia como professor e aluno ou chefe e subordinado onde podem ocorrer óbvios abusos de poder, mas também em relacionamentos amorosos e amizades. Sim, amizades. Elas também podem ser abusivas. Eu mesmo acabei de sair de uma. 

Eu passei um ano e meio em uma amizade abusiva. Foi uma experiência terrível, embora reveladora, a qual eu não posso descrever de outra maneira se não essa: eu tinha um Dementador em minha vida.

No começo, achava que aceitar os abusos do meu amigo, era apenas ser um bom amigo. A essa altura, meio que era. Porque a influência dele sobre mim não começou grande, de uma forma que eu conseguisse perceber e cortar logo de cara. Não, não, ela veio aos poucos. Era como se um parasita se apossasse da minha força de vontade, uma sorvada de cada vez, e a tornasse dele.

Aos poucos, eu me via engolindo os meus próprios sentimentos, vontades e fingindo que tudo de mal que ele me dizia só doía porque no fundo, no fundo, era verdade. Eu era um fraco, carente e desorientado mas ele me faria forte porque estava ao meu lado pra apontar os meus erros de forma bem paternal.

Mas tal como a um pai, havia o medo supremo de desapontá-lo, de não ser aquilo que ele queria, de ser mal compreendido. Ah, o medo de ser mal compreendido. Conversar com ele era como andar a pé em uma estrada de barro molhado. Pisando leve pra não desencavar a sua fúria que vinha em forma de longos silêncios constrangedores onde ele desenhava, para que eu pudesse entender, que eu não era seu único amigo. 

E assim, a sua opinião, a qual eu valorizava e pedia constantemente, logo virou a lei que eu cumpria porque ele sim sabia o que era melhor pra mim. Ele sim sabia, por exemplo, que era melhor eu evitar outras amizades fora do círculo desenhado por ele porque isso não o deixava a vontade. 

Então, assim eu fazia. A prejuízo não só de novas amizades, como até de relacionamentos saudáveis. Os porquês eram vários. Eu tinha medo perder a sua amizade, tinha medo de magoá-lo e achava que ele simplesmente era alguém difícil de se lidar mas que valia o sacrifício porque gostava muito de mim e eu dele. Mas a verdade, após muita reflexão e ajuda, bateu forte em mim: eu tinha medo dele.

Foi aí que me veio a epifania sobre o que eu estava passando: estava sendo vítima de um relacionamento abusivo; e não era a primeira vez - ou a última. Mas eu tive coragem de pedir ajuda a uma pessoa incrível para dar o passo mais importante no meu caminho até a superação desse trauma: o afastamento.

O motivo pelo qual decidi escrever esse texto é, além de desabafar, expor essa que é uma das caracteristicas mais tristes sobre o assunto: Relacionamentos abusivos são extremamentes comuns e fáceis de identificar mas as pessoas acabam ignorando os sinais e convivendo com o abuso, acreditando que seu amigo será sempre assim e você é quem deve lidar com isso. 

Eu estou aqui pra dizer a você que não, não é assim. 

Pegue a história que contei como um exemplo e use-a para refletir os seus relacionamentos. O que te faz ceder aos caprichos do seu amigo? Você tem medo dele? Evita discordar do seu amigo ou até mesmo não dizer o que pensa por temer uma confusão ou "perder a amizade"? Seu amigo exige abertamente de você que o seu tempo e atenção sejam só dele? Seu amigo, de qualquer maneira que seja, te pune quando você deixa de cumprir as "regras de convivência?"

Se a resposta para alguma dessas perguntas for sim, é bom ir acendendo a luz amarela porque você pode estar em um relacionamento abusivo.





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